sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Na sala de justiça

Um dia desses eu fui convocado para prestar depoimento, na qualidade de testemunha, de um processo jurídico. Adoro eventos emocionantes como esse. Tão emocionante quanto assistir uma missa rezada por um pirata.
Ao entrar na sala, a primeira surpresa. O Juiz era simplesmente a cara do Michael Stype!

- Boa tarde, senhor Misantropo.
- Boa tarde.

É interessante como consigo me comportar como um ser humano normal quando a situação o exige. Sou bom mesmo.

- O senhor tem alguma razão para não falar a verdade?

Como assim? O sr. Stype, de cara, faz uma pergunta difícil como essa. MAS É CLARO QUE TENHO RAZÕES PARA NÃO FALAR A VERDADE! Tive uma vontade enorme de perguntar a ele se por acaso falaria a verdade EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, mas seria imediatamente preso se assim o fizesse. Usando da minha notória habilidade em me disfarçar de terráqueo, repondo naturalmente:

- Não, senhor.

Pronto. De cara, falava a primeira mentira da tarde. Tudo bem, se um senador era capaz de fazer isso impunemente, por que eu não o faria?
As perguntas foram se sucedendo, uma a uma. A minha atuação era perfeita, digna de um personagem daqueles 173 filmes estrelados pelo Tom Hanks (arrgghh!!) ou a Julia Roberts (arrgghh, duas vezes!!!) que se passam em tribunais. Entre uma pergunta e outra, reparava no generoso decote da advogada que estava ao meu lado. Se por acaso o Michael Stype perguntasse se eu estava pensando em algo enquanto olhava para aqueles seios, imediatamente responderia:

- Em nada, senhor.

Maravilha. Já havia aprendido as regras daquele jogo. O sr. Stype perguntava, eu respondia aquilo que ele desejava ouvir, apenas isso. Como já disse antes, sou bom mesmo.

- O que o senhor acha a respeito das novelas escritas pela Glória Perez?
- Considero-as uma grande contribuição para a formação cultural da população brasileira, senhor.
- O senhor aprecia as grandes obras de Jorge Vercilo?
- Claro, senhor. Não conseguiria viver sem elas.
- O senhor se lembra da primeira vez em que ouviu um cd da Adriana Calcanhoto?
- Peço desculpas quanto a isso, senhor. As lágrimas causadas por tamanha emoção me impedem de descrever esse momento com exatidão.

Enfim, as perguntas foram se seguindo, uma a uma, até o final do meu memorável depoimento. Após ter sido dispensado, saí da sala levando comigo a convicção de, na qualidade de cidadão honrado que sou, ter contribuído com a justiça intocável que reina em nosso país.

2 comentários:

Biscoito disse...

oi...
saudade de voce!
consegui entrar aqui finalmenteeeeeeeeeeeee! viva!
agora seirei sua fã novamente!
virtual... porque ao vivo eu já sou né?
vamos ver se a gente consegue encontrar nessa vida ainda
sua bolsinha de livros está lá linda aguardando voce risos

Misantropo disse...

Finalmente este solitário e abandonado blogue teve a honra de vossa visita!
Vê se faz disso um hábito, viu?
Precisamos mesmo nos encontrar...

Beijos!

 
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