terça-feira, 9 de junho de 2009

A triste vida de um misantropo

Disse numa certa ocasião que a vida cultural do bairro onde moro (?) se limitava à existência de uma banca de jornais. Não pensem que se tratava de uma banca daquelas onde podemos encontrar de tudo, ou seja, de jornais estrangeiros a livros editados pela L&PM. Ou então, da revista Caros Amigos até uma invejável coleção de DVD's. Na verdade, a pobre coitada disponibilizava aos seus pouquíssimos clientes - sim, pois ela estava cercada por nada menos que ONZE botequins! Concorrência desleal, não acham? - apenas o básico: jornais e revistas de terceira categoria. Mas pensando bem, o que podemos esperar de uma banca de jornais localizada num bairro de terceira categoria, habitado por pessoas de terceira categoria e, principalmente, numa cidade de terceira categoria?
Pois bem, a banca fechou. Resumindo, eu moro num lugar em que, para comprar um simples jornal, tenho que caminhar pelo menos 40 minutos.
E tem gente que diz que a vida é bela...

Um comentário:

Anônimo disse...

Buscando sobre misantropia cai aqui no seu blog, que por sinal é ótimo, apesar de ainda incipiente. Pois então, entendo bem o que passa(ou), pois por causa da separação de meus pais, fui obrigada, aos 17 anos, a me mudar para uma fazenda no interior do Brasil (divisa MA-PI) e cortar praticamente todos os laços com a civilização. Era meados da década de 90 e, ao chegar, me tornei a única pessoa letrada de todo lugar, a única com gostos musicais esdrúxulos (pop rock, clássico...), sem falar que eu já tinha vivido fora e falava dois idiomas. Como se não bastasse, a cidade mais próxima estava a mais de uma hora de carro por uma estrada esburacada e lamacenta, e lá a revista mais culta que se encontrava era a prosaica Ana Maria. Foi punk! Fiquei totalmente privada de qualquer sinal de cultura por três longos anos, até que aos 20 tive a brilhante ideia de me inscrever num programa para au pair no exterior e fui catapultada para Alemanha, onde finalmente me casei e radiquei. Hoje, já recuperada (e vingada! rs) da experiência "sui generis", lembro com um olhar antropológico desse tempo. Em suma: temos que empurrar o mundo pra que ele gire... mas ele gira! :)

 
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