segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Última Parada 174


Ontem eu fui ao cinema. Sim, na cidade (?) onde moro, tal ato pode ser considerado uma verdadeira odisséia.
E não é que o Bruno Barreto ainda consegue fazer filmes que de certa forma me encantam? Me encantam no sentido "cinematográfico" da questão, pois o roteiro mostra o que todos que não assistem a TV Globo já estão cansados de saber: esse país não existe mais. E neste caso, o encantamento é logo substituído pela resignação, pela vergonha de estar vivendo nesse país tropical abençoado por Deus, bonito por natureza e com mais botequins espalhados pelos cantos do que cinemas, teatros e livrarias juntos.
Longe de querer achar que os "Sandros" da vida são heróis que merecem a nossa compaixão quando cometem delitos, sejam eles graves ou não. Mas dentro de nossa realidade crua, repleta de desigualdades sociais e com uma justiça feita para atender somente aqueles que podem pagar por ela, não dá para virar as costas para o fato de que Sandro Nascimento foi muito mais vítima do que bandido.
O filme nos faz pensar o que fazemos na prática, dia após dia, para ao menos tentar mudar tal situação. Para aqueles que querem responder, em homenagem ao período natalino que já está por aí, não vale dizer que no final do ano distribuímos algumas cestas básicas e brinquedos baratos e... pronto! Agora sim, sou um cidadão que se preocupa com a situação social do país!A desigualdade social que o neoliberalismo endossou é um problema que nos leva cada vez mais à miséria, violência e criminalidade. Uma imensurável camada da população brasileira vive em condições desumanas, e Sandro fazia parte dela.
As muitas pessoas que consideraram Sandro Nascimento um assassino o fizeram apenas levando em conta o episódio do sequestro do ônibus 174.
Para mim ele foi vítima. Apenas isso.

Nenhum comentário:

 
Locations of visitors to this page